domingo, 25 de fevereiro de 2018


ACERCA DA DOR

Há aquele que de tão desvairado
vê-se por ela penetrar
Para expulsá-la
aos outros manda matar
espoliar, injuriar, injustiçar
Tem sempre comentários e ações
que possam ferir aos outros
fazer a dor pular
só que é dentro de si
que a danada vai ficar

Há aquele que a dispensa
Diz que com ela não pensa
Forja felicidade e saúde
como quem busca a ilusão
Mas a dor é mais forte e vem
toma posse
Caminha, lado a lado,
com quem bem entende
seja ele seu inimigo ou fiel guardião

Há os corajosos de plantão,
que dela aceitam qualquer desafio
Se comigo assim é,
que venha a dor
do jeito que vier
a mim encontrará
e dela farei pó

Liz Rabello

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018


DIÁSPORA TRIANGULAR

VOLVER O TEMPO

Caso pudesse fazê-lo voltar
E páginas de minha vida apagar
Só queria de novo embarcar
Na inocência do desejo
De um grande amor vivenciar

Caso pudesse fazê-lo voltar
Daria cordas à intuição
Olhos abertos a enxergar
o que mentia o coração
Fazer em pó a ilusão

Caso pudesse fazê-lo voltar
na diáspora triangular
São dois pra cá, dois pra lá
Liberaria INTERVALOS
E me faria dançar dois pra lá

Uma pra cá
Leve 
Livre
Solta
Para nova vida
Voar

Caso pudesse fazê-lo voltar
E páginas de minha vida acrescentar
Só queria de novo escrever
Um próximo encontro mágico
Com novo amor a brilhar

Liz Rabello

domingo, 18 de fevereiro de 2018


 HONRAR O AMOR

Ao contrário de você
Que bem antes do fim
Em novo amor se enredou
Não quero ninguém ao meu lado
Pela metade, sem decisão, sem fé

Quero antes me limpar
De toda esta lama
Que você sujou
Quero antes definir
Minhas razões do amor
Sugar os poros do suor da dor

Quero antes desfazer nós
Que por você atei
Com amigos que desandei
Quero antes me curar
De toda esta mágoa
Que você me causou

Quero antes cicatrizar
Todas as feridas
Que você sangrou
Quando eu amar de novo
Quero honrar o nome do Amor
Que você fez em mim emudecer

Quero voar ao topo mais alto da dor
E de lá olhar pro futuro
Filtrar emoções antes
De me precipitar em voo de risco
Asa delta rumo incerto
Pra pousar magnificamente no Amor!

Liz Rabello


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018



Sou um girassol
Que se curva ao sol em sua passagem
Que se dobra ao sol para testemunhá-lo
Que tenta roubar-lhe energias
Mas sei, tal como ele
Tenho minha própria luz

Liz Rabello 


domingo, 4 de fevereiro de 2018

ENSAIO FOTOGRÁFICO
 PARA UM NOVO LIVRO DE POESIAS

Fotos e pintura no corpo por Giovana Maciel


HONRAR O AMOR

Ao contrário de você
Que bem antes do fim
Em novo amor se enredou
Não quero ninguém ao meu lado
Pela metade, sem decisão, sem fé

Quero antes me limpar
De toda esta lama
Que você sujou
Quero antes definir
Minhas razões do amor
Sugar os poros do suor da dor

Quero antes desfazer nós
Que por você atei
Com amigos que desandei
Quero antes me curar
De toda esta mágoa
Que você me causou

Quero antes cicatrizar
Todas as feridas
Que você sangrou
Quando eu amar de novo
Quero honrar o nome do Amor
Que você fez em mim emudecer

Quero voar ao topo mais alto da dor
E de lá olhar pro futuro
Filtrar emoções antes
De me precipitar em voo de risco
Asa delta rumo incerto
Pra pousar magnificamente no Amor!

Liz Rabello


COMO ÁGUA E ÓLEO

Eu sou água transparente
Leve solta corro morros
Deslizo pedras
Rolo ribanceiras
Vertigens nas alturas
Lindas cachoeiras
Você é óleo
Dedos toques suaves
Na pele, nos lábios
Falo
Vertigens no chão
Voos nas estrelas

Como água e óleo
Pelas bordas você fica
Não te alcanço
Não te encontro
Teu mel se dilui
Em minhas águas
Teu fel me fere
Coração sangra
A noite termina
Manhã deserta inicia

Liz Rabello



DIS(TRAÍDA)

Andava solta na vida
Na encruzilhada te encontrei
Você me olhou, eu parei
Pediu carona e te dei
Roubou meu coração
Meu corpo em fé
Minha conta bancária
Meus bens em comunhão
Voou de avião
Levou meu carro
Que te dei... Sem gratidão
Deixou-me endividada
Construiu um novo mundo
Só pra ti, sem mim, com outra
E eu nem percebi que fui LIZ (TRAÍDA)

Liz Rabello


SEM AMOR

Um parceiro te rouba sonhos
Outro te aprisiona na traição
Um terceiro te atormenta no assédio
Um quarto te apunhala o coração
Sem amor
Sexo te deixa sem noção
Boneca de cera sem realização

Liz Rabello



O VIÉS DA DOR É O AMOR

Entre a sua liberdade
E minha autonomia
Permita-me o voo
De um novo sonho

Entre a sua tristeza
E a minha solidão
Permita-me a metamorfose
Morte de uma mariposa

Entre a sua melodia
E os acordes da canção
Permita-se o som
Do voo em comunhão

Entre a sua esperança
E a minha desilusão
Permita-se o enlace
De nossas mãos

Permita-me o Amor

Liz Rabello 


 SONHOS PERDIDOS


Para onde vão os sonhos perdidos?
Eles, que se tornam invisíveis
Acoplados ao fundo da alma
De lá não se mostram acessíveis
Será que a música consegue trazê-los
De volta ao mundo real?
Ou será que a alma transborda
Quando a última tempestade passar?

Liz Rabello


NUDEZ

Desnuda tua alma
Amor não tem rótulos

Desnuda teu coração
Amor não tem cor

Desnuda tua fé
Amor não tem religião

Desnuda tua vivência
Amor não tem deficiência

Desnuda teus caminhos
Amor não tem fronteiras

Liz Rabello



PEGADAS NAS PEDRAS

Amontoo sonhos estilhaçados
Remendo retalhos rasgados
Descubro poesias na dor
Releio emails trocados
Procuro respostas ausentes
Em feridas não cicatrizadas

Descubro que o frio me persegue
Solidão é palavra de ordem
Corrimão que da mão escorrega
Labirinto escuro sem trégua
Caminhos secretos é regra

Em minhas pegadas nas pedras

Liz Rabello



LUTO

Estou em luto
Por sonhos castrados
Objetos roubados
Por quem sai da minha vida
Sem sequer olhar pra trás
Luto contra a impotência do luto
Sem futuro, sem presente
Sem perspectivas a implorar
Morta por dentro
Vivendo a cada dia
Como quem precisa um vício superar

Liz Rabello


 AMANTES

Sou capaz de dividir
Somar só se for afetos
Subtrair só dores
Multiplicar amores
Seremos amantes sem arestas
Preconceitos nem pensar
Vem me fazer feliz e amar

Liz Rabello

  
BEIJOS DE AMOR

Um beijo de mel
Colorido e prateado de estrelas
Eletrizante e repleto de desejos

Um beijo de mar
Salgado e rastreado pela lua
Efervescente e rasgado de nus

Um beijo de sol
Quentinho e amarelo de girassóis
Vivificando alimentos de milharais

Um beijo de suor
Trabalho dia até noite ao raiar da aurora
Cansaço fecundo de construção do amor

Um beijo de lágrimas
Em lábios secos rachados
Mil corpos sepulcros a lapidar a dor

Seja como for, quero beijos de amor

Liz Rabello

terça-feira, 23 de janeiro de 2018


No topo da pedra
Solitária esfinge
Última possibilidade
Verde esperança no ar
Refúgio de verdades
Colheita de mentiras
Sou eu na escuridão das trevas

Liz Rabello

Praia de Fortaleza - Ubatuba-SP (Verão/2018)- Foto de Nicholas Betoni

Aqui onde a lua
Respira sal
Estrelas dançam
Nas ondas do mar
Colho paz
Imensidão
Tal qual areia
Que o vento leva
Pra qualquer parte
Ou pro fundo do mar

Liz Rabello

Praia de Fortaleza - Ubatuba - SP-Foto de Nicholas Betoni (Verão/2018)

PERGUNTAS SOLTAS

Eis-me aqui com meus botões a mergulhar
Ondas gigantes de mar a enfrentar
Traição, ingratidão, insuportável pensar
Perguntas soltas ao mar
Por que não sou merecedora de amor?
Por que cargas d'água
Minha existência solitária vegeta em dor?
Até quando vou falar de amor com tanta dor?

Liz Rabello

Praia Brava, Ubatuba - SP (Verão/2018) - Foto de Nicholas Betoni

domingo, 14 de janeiro de 2018


ENTRE AS RENDAS DO SILÊNCIO


Tempestade de ventos
Folhas, flores, galhos, fios
Se entrelaçavam em direções opostas
Chocavam-se em vertigens de agonia
Um estouro e tudo se apagou
A luz da telinha virou breu
Horas passam vagarosas
E eu serena, em orações
O fôlego retorna
Milagre no meu jardim leproso
Minh’alma em rasgos de silêncio
Faz da dor um jardim de alvorecer

A tempestade de ventos chegou farta hoje à tarde. Tufadas de folhas, flores, fios elétricos se entrelaçavam, em direções opostas, como se as golfadas quisessem se abraçar. Portas batiam sem cessar. Vareta se escondeu em minhas pernas com o coração saltitando de pavor. Deu um estouro e tudo se apagou. Na telinha do computador a luz tornou-se breu. As horas passaram mansas, serenas, a tempestade não vingou. Cedo demais para dormir. Comecei a fazer orações. Entre palavras me perdi e o sono venceu a tarde. Acordei com todas as luzes acesas, às três e meia da manhã. Liguei o computador e eis que ao recarregá-lo, esta mensagem surge, escrita em meu blog, por um autor anônimo: "O tempo passa... O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega".


Liz Rabello