quinta-feira, 15 de junho de 2017


"Sou feito de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior... Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade... que me tornam mais pessoa, mais humano, mais completo. E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados... haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma. Portanto, obrigado a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias. E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de 'nós'."



Cora Coralina
 


MIL PEDAÇOS
Me fiz em mil pedaços

Pra você me decifrar
E de novo me montar
Quebra cabeça de desejos
Paixões desnorteadas
Estilhaços de esperanças
Paredes quebradas
Jogos de faz-de-conta
Vazios nos cantinhos
Invisíveis do olhar!

Me fiz em mil pedaços

Pra você tentar juntar
Peças que não se encaixam
Antíteses paradoxais
Cores que não combinam
Com aurora ou entardecer
Viagens sem futuro
Sem passado a entender!
Um presente recortado
Em filetes de amanhecer!

Me fiz em mil pedaços

Pra tentar me disfarçar
Que todinha me mostrava
E assim posso enganar!
Se quiseres me achar
Os pedaços encontrar
Basta apenas um por um
Sentimentos vir colar!
E não hás de me achar
Porque o meu Eu dentro de ti
Sempre perdido a te sondar!

Liz Rabello (In Mil Pedaços, Editora Beco dos Poetas, 2012)

terça-feira, 13 de junho de 2017

ANDO POR AÍ SEMEANDO POESIA E MUITO AMOR


Desnuda tua alma
Amor não tem rótulos
Desnuda teu coração
Amor não tem cor
Desnuda tua fé
Amor não tem religião
Desnuda tua vivência
Amor não tem deficiência
Desnuda tuas vestes
Amor não tem genero
Desnuda teus caminhos
Amor não tem fronteiras

Liz Rabello

quinta-feira, 1 de junho de 2017


 ASAS DE BORBOLETA

Quero asas de borboleta
Para livrar-me da dor
Volúpia, pecado, torpor
Ao longe existe horizonte
Folhas, flores, frescor

Quero asas de borboleta
Para livrar-me dos fios
Enroscados no casulo, miolos
De muitas lutas, tijolos
Alçar voo em violetas

Quero asas de borboleta
Para livrar-me da inércia
Sementes em ausência
Ao longe existem nascentes
Rios que correm pro sem fim

Liz Rabello
(Fotos de Liz Rabello)


segunda-feira, 22 de maio de 2017


 "No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam."
Carlos Drummond de Andrade (In: O Avesso das Coisas - 6ªEdição, 2007)


Fotos de Liz Rabello (In Beco do Batman - Vila Madalena - SP/2017)




BOLHAS DE SABÃO
Vou brincar com bolhas de sabão

Acreditar que a vida não é sonho vão
Enlouquecer paredes com sopros de funil
Escorregar tijolos de matiz
Anil róseo escarlate
Ao vento driblando rolando girando
Meu coração saltitando
Sorrisos doçuras de mel
Só criança é feliz assim!


Vou brincar com bolhas de sabão
Dentro delas dores mil
Casinhas de papelão
Barquinhos sem velas
Lua sem estrelas
Sol sem brilho próprio
Árvores sem folhas
Lagos sem peixinhos
Saudades sem olhos úmidos
Vento, leve embora minha dor!

Vou brincar com bolhas de sabão
Dentro delas muita luz
Esperanças verdes liz
Olhos de serenatas
Canções e perfumes de jasmim
Num impulso de alegria
Mãos seguram a euforia
De ver bolhas explodindo
Levam a dor e o amor
Levam saudades e esperanças!
Sorriso desaparece dos lábios
Vento parou mãos molhadas
Surpresa chegou, brinquedo acabou!

Liz Rabello (In INTERVALOS, Editora Beco dos Poetas, 2013)
Fotos de Carloz Torres (In Beco do Batman- Vila Madalena - SP)




quarta-feira, 17 de maio de 2017


MÚSICA DAS RENDAS DO SILÊNCIO

Nas frias manhãs de rendas
Tecidas pelo tempo neve
Garoa, tempestades, ventos
Jornadas em greve

Aranhas tecendo fios
Emaranhados de silêncios etéreos
Iscas adormecendo vidas
Lacrando voos em labirintos fúteis

Nas tardes quentes de rendas
Tecidas pelo tempo Sol
Lagartas expiram vida
Voam borboletas Do Re Mi Sol 

Liz Rabello


sexta-feira, 5 de maio de 2017

QUERO AS VARIAÇÕES DAS NUVENS... FICO LONGOS MINUTOS OLHANDO-AS QUANDO ESTOU À BEIRA DA PISCINA... MARAVILHOSA MAGIA QUE SE REFLETEM DOS CÉUS DO MEU PARAÍSO!


Quero nuvens pra remontar pedaços
Estrelas pra colar mosaicos
Infinito pra deixar mensagens
Eternidade caminhos afora
Uma foto, um livro é uma oportunidade
De se viver além do próprio tempo
(Liz Rabello)

(Ubatumirim - Litoral Norte de São Paulo - Foto por Nicholas Betoni)

Espetacular! Ubatumirim é uma prainha que o acesso é só pela mata, numa trilha, ou então por aquele braço de mar, quando a maré está mais baixa.


(Lagoinha - Ubatuba - Litoral Norte de São Paulo - Fotos por Liz Rabello)

quinta-feira, 4 de maio de 2017


VOO RASO OU GIGANTE!
Há quem diga que não goste de solidão... Eu gosto... Costumo até dizer que não estou sozinha... Sou sozinha! Apaixonada pela obra de Van Gogh, descobri, recentemente, que além do gosto pelas tintas e cores, também ele como eu, somos igualmente “solitários”... Quer algo melhor do que caminhar sozinha com seus pensamentos por uma trilha deserta e observar a fuga da luz? Sentar-se à beira de um lago e encantar-se com um lindo pôr-do-sol? Caminhar pela orla marítima, durante o entardecer? Esparramar-se em uma cama grande e dormir... Descansar da labuta e esquecer os problemas? Mas... há momentos, não raros, em que o corpo e a mente, como também o coração pede o voo e aí a gente se lembra que “O ser humano é um pássaro de uma asa só e que é preciso se juntar ao outro para poder voar!” É aí que a gente procura o Outro, o Amigo, o Amante... E se precipita no horizonte num voo raso ou gigante! E é lindo demais!
(Liz Rabello, in MIL PEDAÇOS, Editora Beco dos Poetas, 2012)

sexta-feira, 28 de abril de 2017




Mesmo que o Estado não me valorize, mesmo que os pais não percebam, mesmo que o salário não compense: Sou Professora... Uma das pessoas mais importantes do mundo!

“Cheguei a uma conclusão aterrorizante! Sou eu, o elemento decisivo na sala de aula. É a minha abordagem pessoal que cria o clima. É meu estado de ânimo diário que dita o tempo. Como professor, possuo o tremendo poder de tornar a vida de uma criança miserável ou cheia de alegria. Posso ser um instrumento de martírio ou de inspiração divina. Posso humilhar ou alegrar, ferir ou cicatrizar. Em todas as situações, é a minha atitude que determinará se uma crise será bem ou mal conduzida, e, então, uma criança poderá ser humanizada ou marginalizada.”

(HAIM GINOTT, professor canadense).

sexta-feira, 21 de abril de 2017


Na re(existência) de mim mesma
após tormentas 
percebo luz no fim do túnel
Será enfim a volta do ser não ser
que me traduz
ou será apenas o resistir ao fim de mim?

Liz Rabello