LIZ POR LIZ


BUSCO VERSOS COM UM QUÊ DE REALIDADE
MISTURA SALUTAR DE SONHO AUSENTE
COM TERNURA DE QUEM JAMAIS DEIXARÁ DE SONHAR

Liz Rabello

Sou Maria da Luta
Não me calo
Fico nua
Transparente
Mostro curvas
Não tão lindas
Mostro rugas
Não tão feias
Mostro alma
Não tão doce
Mostro tetas
Já caídas

Sou Maria da luta
Tão sofrida
Tão amarga
Tão da rua
Tão da vida

Sou Maria da luta
Não resta mais nada


LIZ POR LIZ

Sonhadora e reflexiva
Vê possibilidades do belo em todo lugar
Atrás da lente um olhar de alteridade
Capaz de enxergar utopias
Muito além das pedras do mundo
Raios de sol ou de arco-íris
Coração, um pequeno vulcão
Alma, um jardim secreto
De muros intransponíveis
Sensata, mágica, transparente
Mentiras inexistem no fogo cruzado
Eis meu retrato que poucos conhecem


SOU GUERREIRA

Sou de um tempo em que aprendi a me calar
A ter medo de militar
A ficar no meu lugar de mulher
Abaixo do patrão, do pai, do irmão, do marido
Até do filho e do cão que ladra no quintal!

Mas também sou do tempo
Em que a fera ferida sangrou
E se libertou da menstruação
Do soutiem, da saia comprida
E do varão machista
Da lei imperiosa da mordaça do dólar

Pertenço a este momento histórico
Em que a mulher vai às ruas
E deflagra a corrupção
Se for preciso a trégua, que seja...
Mas cruzar os braços... Jamais!
Ainda nos resta a Poesia
que nunca "servil" a ninguém! 

Liz Rabello

3x4
Hoje sou imperfeição total 
estrangeira de mim mesma
um caos hospício salutar
destruição de paredes
pra me alimentar
de ilusões perdidas
barco de papel em lágrimas sangradas
chagas de um povo exaurido
meu Brasil rifado
desconstruído
dividido
minha estrela vermelha pulsante
inflada de ódio que não sinto!


Liz Rabello

MEU EU É COMO MINHA BOLSA
UM BURACO NEGRO
PORTAL PARA OUTRA DIMENSÃO
CABE SEMPRE MAIS
NADA SE ACHA
TUDO SE PERDE!

NADA DE CELULAR
PERDIDO NA BOLSA TB
(TRIÂNGULO DAS BERMUDAS)
TODOS OS MEUS OBJETOS PESSOAIS
VÃO PARA OUTRA DIMENSÃO

EXISTO COMO ELA
SOU VÁRIOS PORTAIS
ENDEREÇO CERTO:
 NÁRNYA
DESCULPAS
NÃO VIVI ATÉ HOJE SEM CELULAR?

POR  QUE É QUE TENHO QUE ATENDÊ-LO AGORA?
POR  QUE É QUE TENHO QUE ENTENDER-ME AGORA?

LIZ RABELLO



QUEM É VOCÊ, LIZ?


Eu sou os brinquedos de minha infância... A bicicleta, que tanto sonhei e nunca tive... Os livros novos, que só chegaram muitos anos depois... Os lápis de cor multicoloridos, que só hoje consigo comprar (naquele tempo, eram apenas meia dúzia, tão pequenos que eu os usava segurando na pontinha, com o máximo cuidado!)... As bonecas desejadas... Que nunca chegaram! Minha infância foi repleta de imaginários brinquedos, que minha criatividade dava vida. Brincava de castelos assombrados numa construção de esquina, que nunca terminava. Brincava de casinha, fazia comidinhas, com óleo mil vezes usado e jogado fora. Uma vez passei mal, porque resolvi comê-las. Sou os exames de vestibular que tanto sonhei, mas só chegaram bem mais tarde, quando já estava grávida do meu segundo filho! Tarde? Não, na hora certa. Nunca mais parei de estudar. Fiz vários pós, inclusive Mestrado. Sou os segredos de amor, que guardei, bem no fundo do coração, após ter ficado viúva e não conseguir mais me entregar a ninguém. Sou as praias desertas, que adoro conhecer, procurando em cada cantinho uma conchinha, uma pedra, um penhasco, uma trilha! Sou a saudade que sinto de um homem justo, que orgulhoso de mim, a filha pródiga, disse estar “sastifeito” comigo... E eu, na ingenuidade de minha pouca idade, o corrigi: “ Pai, não é assim que se fala”... Perdão, pela mágoa daquele instante em que eu te humilhei, meu pai querido! Sou aquela cena de rua, de um sábado trágico: uma família inteira presa nas malhas do destino. Um carro pegando fogo! Até hoje, ouço os gritos de impotência, deles, meus e de todos que nada puderam fazer para salvá-los. Sou os livros e filmes e músicas que já me tiraram lágrimas dos olhos. Sou os abraços, que já dei em meus amores, filhos, neto, sobrinhos! Tios! Sou saudade da irmã, minha amiga, confidente, que cedo partiu desta vida. Sou promessa de continuidade. Preciso fazer aqui ainda o que outros começaram e não terminaram. Sou a Bete, professora, Mestre, orgulhosa de seu trabalho, porém em fim de carreira... Impotente, diante dos erros, que observo em meus companheiros de jornada. Eles se atiram num vazio de desesperança, que não pode chegar a lugar nenhum! Me levam junto. Eu me nego a despencar. Sou a lutadora, a menina da janela do décimo primeiro andar. Trabalhava em uma empresa, recepcionista. De lá eu via os alunos de Direito do Centro Acadêmico da Faculdade São Francisco, em suas manifestações contra o AI 5, as represálias do governo. Sou a grevista que, à testa das manifestações, incendiava os corações dos meus companheiros de trabalho. Tantas vezes PT! Vermelhinha de carteirinha! Hoje... Nem sei quem sou. Sou a Liz tantas vezes renascida, após o acidente que fraturou minha coluna. Um ano sem destino certo, usando coletes... Bordando para passar o tempo. Sou a Liz, que perdeu a chance de ser mãe de novo... Um mioma tão grande que precisou ser retirado junto com todo o aparelho reprodutor. Sou a mulher que perdeu os órgãos internos, mas não o desejo de viver, muito menos a sensualidade, a libido. Sou orgasmos contidos, sou gritos de amor sufocados, sou desejos não realizados. Sou beijos guardados, doados ao vento, coração rifado. Sou "malditas" palavras mal ditas! Bem ditas! Bem guardadas! Sonhadas pra serem confessadas a alguém!

(In MIL PEDAÇOS, Liz Rabello, Editora Beco dos Poetas, 2012)




VOCÊ TEM EXPERIÊNCIA?


Qual sua experiência? Essa pergunta ecoa no meu cérebro: Experiência! Experiência...  Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?  Eu sempre estou a sorrir, mesmo quando a vida me detona!

Já me banhei nas águas do velho Chicão... Lágrimas nos olhos de emoção, na sua foz... De encontro ao tempestuoso mar Atlântico!

Já beijei uma taturana numa árvore, aos sete ou oito anos, de olhos fechados, imaginando ser o meu príncipe encantado!

Já passei uma madrugada de lua escondida, na chácara, procurando estrelas... E contando-as... Juro que me perdi em seu brilho intenso!

Já tomei banho de cachoeira, nua, de madrugada, na Pró-Mirim... Num tempo em que Ubatuba era só um deserto paradisíaco...

Já naveguei nas ondas da emoção de um voo de asa delta... Quase morrendo de medo!


Já fingi que estava subindo em um coqueiro... Só pra parecer mais alta... Sou baixinha...

Já me apaixonei por alguém que não podia... Me quebrei por dentro... Mas valeu a pena!

Já ultrapassei meus limites da razão em busca de uma emoção mais forte, mais intensa, numa entrega ímpar!

Já subi degrau por degrau as escadas do Pico do Jaraguá... parando só pra olhar com calma a agitação e a loucura de minha cidade natal... São Paulo, às luzes do sol ou das estrelas... é uma linda cidade!

Já cantei mil serenatas aos grilos e às traças... brincando de karaukê aqui na chácara!


Já subi o Morro do Elefante, em Campos do Jordão, cavalgando (mesmo sem experiência), rasgando a meia, de tanto me apertar ao corpo do coitado do cavalo...


Já quase... quase... me afoguei nas águas da Praia de Iguape, em São Sebastião... Olhando fixamente para o mar, boiando... numa paz tão infinita, que se a corrente marítima não me avisasse... teria sumido mar adentro... Até hoje, não sei como voltei...

Já me deliciei nas águas do Rio Sucuri, em Bonito, Mato Grosso do Sul, flutuando com equipamentos adequados, só para ver de pertinho o colorido dos peixes, num arco-iris estonteante!


Já passei muitas horas de minha vida... Tecendo linhas, misturando cores, em bordados que doei, vendi e curti!


Já me lambuzei de tintas, de areia, de cola, de barro, criando telas, instalações artísticas. Amo!

Já passei horas com a máquina fotográfica na mão... Capturando milésimos de segundos de vida, para eternizá-la... É meu hobby... Fotografias... Adoro!

Já fiquei por horas dentro da Gruta da Lagoa Azul só para ver aquele maravilhoso azul anil de que tanto falam... Mas que só existe em fotos... Eu não vi!


Já perdi o radiador de um carro (por conta do lodo que ali ficou) atravessando um rio, que me disseram que não era fundo... Só pra conhecer uma praia distante, em Peruíbe.



Já segurei ouriscos e me enfeitei de pexinhos coloridos, numa foto que amo de paixão, lá em alto-mar, nos recifes de corais de Maceió...

Já chorei de emoção em Barra Bonita, ao ver meu velho Rio Tietê, menos poluído! E jurei... Jurei que me tornaria uma "eco chata atuante"... E sou! Já fiz até adoção de nascente com meus alunos!


Já perdi o voo de volta da Gol, lá em Confins, em Belo Horizonte, por ter ficado tempo demais no Xapuri!  Que restaurante maravilhoso!


Já me lambuzei de brigadeiros dos pés à cabeça... Brincando com as crianças que eu adoro...

Já corri numa trilha embestada, em Bonetes, só o mar à esquerda e um penhasco à direita... de medo de assalto!!!! 


Já chorei de dor e de tristeza, por perder os sonhos, que eu criava com pessoas, que eu ainda amo!

Já voltei a sorrir de alegria ao me lembrar de momentos inesquecíveis com estas mesmas pessoinhas, que se foram desta vida para outra... E já viraram estrelas! 


Será que quem formulou esta pergunta sabia o que realmente é ter experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova."


LIZ RABELLO

Parodiei o texto de um autor desconhecido, em resposta a uma pergunta sobre sua experiência, durante um teste para concorrer a uma vaga numa multinacional... O texto original é lindíssimo!




LIZ RABELLO

Adora elogios, mas não os deixa subirem à cabeça! Críticas, detesta, mas não a rebaixam. Olha o lado positivo. É o que é: Uma mulher madura, com cara de adolescente. Muitos sonhos realizados... Não todos! Baixinha demais, olha para as estrelas! Não acredita na felicidade perene, só em intervalos. Entre a metamorfose e o voo é possível ser feliz! Adora cores, pincéis, tintas. Bordados coloridos. Ponto traçado em nós bem dados. Mas ainda assim prefere a natureza. Água e flores a fascinam! Já se recriou muitas vezes. Aprendeu a se curar com criatividade das dores que pela vida afora vivenciou vivenciando. E se renova sempre que a última pedra for lançada e que é preciso recomeçar do chão. Descobriu que ao escrever suas memórias a dor se torna bem mais leve.  Suas marcas de idade denunciam um riso fácil. Muito bem humorada, sempre gostou de estudar. É formada em Letras, com Pós Graduação em Literatura Moderna e em Gramática da Língua Portuguesa, ambos pela Faculdade Santana e Mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC. Poetisa e Ambientalista, trabalhou na Prefeitura Municipal de São Paulo, aposentando-se no cargo de Coordenadora Pedagógica. Concomitante foi Alfabetizadora e recentemente se aposentou também como Professora do Ensino Fundamental II, onde, com orgulho,  contribuiu para a formação de jovens, no domínio da Leitura e da escrita das palavras. É autora dos livros solos “Mil Pedaços”, de 2012 (poesias)  e  “Intervalos”, de 2013 (contos, dialogando com poesias). Ambos pela Editora Beco dos Poetas. Em 2014, lançou “Amor à Primeira Lambida”, pela Editora Essencial: Uma história de uma Vira-Lata, à princípio rejeitada e que a conquista com  olhar angelical. Em 2015 lançou "Lua no Chão", pela Editora Essencial, contos poéticos. Na dança da vida, prefere usar palavras com amor do que com rispidez. Todo lado crítico deve ter sabor humano, que nos enriquece em lugar de destruir.

 http://youtu.be/yn_OttuzGjU



"MEU CORPO” MEU INVÓLUCRO

Qual é a história deste corpo? Deste invólucro que embala a minha alma? Às vezes me parece que passei a vida toda (mais de meio século) vivendo o meu mundo interior... Presa numa caixa que me enlouquecia... Por vezes desejei livrar-me dela... Um dia me olhei no espelho e percebi que não me refletia, que não era eu, aquela mulher que estava lá... E, então, mudei... Comecei a cuidar desta caixa, de papelão, frágil, mais frágil do que minha própria alma... Comecei a procurar nas curvas de minhas rugas já à mostra, onde estava a Bete, a Elisabete, que um dia se perdeu no tempo... Achei que este, novo invólucro, devia sorrir mais... Devia curtir mais o que este corpo pedia... Devia dançar, amar, fazer sexo... Sabe, estas coisas que todo mundo faz? E que, ao longo da vida, eu me neguei? Ok, vamos começar esta história desde o princípio... Nasci lá, na Casa Verde, aos fundos de uma casa que dava por divisa num colégio de freiras, caríssimo, cujo poder aquisitivo de meus pais não me dava o direito de entrar, mas não me impedia de “olhar”... E foi, assim, que vivi, ao longo de minha vida toda, apenas vendo as outras pessoas, usarem o corpo, o próprio corpo... Como assim? Bom, amava ver as meninas fazendo ginástica, usando aquelas sainhas plissadas,com shorts por baixo, jogando queimada... No colégio do Estado “José Carlos Dias” não havia Educação Física para os pequenos... E, no ginásio, eu já estava trabalhando... Tive o meu primeiro emprego aos treze anos, com carteira assinada e aval do juiz por ser menor de menor de idade... Pode? Pode, sim, meu pai morreu muito cedo... Eu tinha que ajudar em casa... Aliás, comecei a trabalhar aos sete anos, em pé, parada com meu corpo, passando cola nas fitas que enfeitavam as caixinhas, que minha mãe fazia em casa... Com horário marcado... À noite, tarefas da escola, sentada na mesa da cozinha... Qual o tempo do meu corpo?ERA SÓ CÉREBRO... ANULAÇÃO DO CORPO... E foi assim que vivi, algum tempinho livre... Corria para os livros, ler sentada num galho da minha goiabeira, no fundo do quintal... E, de vez em quando “OLHAVA”, como é que as garotas faziam Educação Física... Nunca fui uma menina feia, nem de corpo, nem de rosto... Mas, jamais me dei conta disto, naquela época... Eu só percebia o quanto era inteligente pelas notas que recebia em meu boletim, pelos elogios dos professores.. E, nunca, nunca recebi uma crítica sequer sobre meu corpo... Porque nunca o usei... Na minha mente, nos meus desafios de leitura, devorava qualquer livro, que chegasse em minhas mãos, eu era a rainha da natação... a dançarina, que conseguia os mais lindos passos... a Cinderela do baile, onde o príncipe se casaria com ela... Mas, na vida real, uma mulher desengonçada, que nunca conseguiu sair do lugar em sua mesa, na noite de um baile... Numa festa, uma mulher tímida, que se negava a aparecer... Até hoje... Sou assim... Eu preferia ter recebido críticas, por ter tido um professor de Educação Física, do que jamais exercer a oportunidade de usar o meu corpo como forma de expressão do MEU EU INTERIOR!

Liz Rabello



MINHA BOLSA
BURACO NEGRO
PORTAL PARA OUTRA DIMENSÃO
CABE SEMPRE MAIS
NADA SE ACHA
TUDO SE PERDE!

Nunca atendo ao celular. Não dá tempo de achá-lo. Fica perdido no buraco negro de minha bolsa da marca TB (Triângulo das Bermudas). Todos os meus objetos pessoais vão parar em outra dimensão. São vários portais: O primeiro é o buraco negro da bolsa, o segundo é que nela tem dois zíperes internos, que na realidade são dois portais inter dimensionais e para completar, eu a coloco no guarda-roupa que é outro portal maior, que a carrega até NARNYA. Fica difícil, tanto encontrar dinheiro, quanto documentos e cartões de visitas, mas o pior mesmo é perceber a vibração do celular e não conseguir encontrá-lo. Se carregá-lo em minhas mãos, com certeza vou perdê-lo no primeiro balcão, cantinho, cadeira, mesa que existir no meio do caminho. E também para quê tê-lo em minhas mãos se quase não ouço? Minhas desculpas ficam por conta de um passado recente. Eu não vivi até hoje sem celular? Por que é que tenho que atendê-lo agora? 

Liz Rabello



Desenho de minha mão - Liz por Liz -  Tomie Otake

DETESTO MINHA MÃO

Como desenhar algo que não gosto?
Unhas pequenas demais
Pele encarquilhada,
franzida,
tecido encolhido e rasgado,
perdido no tempo.
Começo pelas unhas,
dedos, braço à mostra
Aos poucos "Ela" adquire forma
fica tão semelhante
que voa buscando vida,
parece querer tocar na extremidade
da folha do papel.

Viro a página,
coloco-a contra a luz
e tento descobrir nas linhas sem contorno,
meus toques pessoais,
linhas que de longe possam exprimir
as minhas digitais,
mas só sinto o perfil dos meus "ossos",
na linha do M da morte!
Eu, que antes era única,
perene e solitariamente eterna,
agora, sou apenas contorno, sem pele!

De fora, olhando-a
Me vem à memória tudo
o que faço com ela
lindas telas coloridas,
bordados caprichados,
sementes que viram árvores,
brigadeiros que enchem os olhos
e encantam paladares,
carinhos nos meus amores,
escritos de minh' alma!
Ah! Insensato delírio!
Gosto, enfim, "Dela"!

(In "MIL PEDAÇOS", por Liz Rabello, Editora Beco dos Poetas, 2012)






Liz Rabello é formada em Letras, com Pós Graduação em Literatura Moderna e em Gramática da Língua Portuguesa, ambos pela Faculdade Santana e Mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC. Poetisa e Ambientalista, trabalhou na Prefeitura Municipal de São Paulo, aposentando-se no cargo de Coordenadora Pedagógica. Concomitante foi Alfabetizadora e é, atualmente, Professora do Ensino Fundamental II, onde, com orgulho, tem contribuído para a formação de jovens, no domínio da Leitura e da escrita das palavras. É autora dos livros solos “Mil Pedaços”, de 2012 (poesias)  e  “Intervalos”, de 2013 (contos, dialogando com poesias). Ambos pela Editora Beco dos Poetas. Em formato e book, tem o livro "Tesouros do Jaraguá - Obras de Henrique Manzo", pela Editora Essencial, em 2014, um misto de documentário do valor artístico do pintor com um grito de socorro pela Galeria Narciza, prestes a ruir. Publicou com diversos escritores, entre os anos de 2012, 2013 e 2014 poemas inéditos em “Encontro com a Poesia”, “Dois Corações, Uma só Batida”, “Meninas Super Poéticas Volume II e Volume IV”,  "O Apanhador de Sonhos", "Pérola Negra", poemas sensuais em “Por Detrás da Cortina” e contos em “Diamante Bruto” e “Amor sem Fim”, todos pelo Beco dos Poetas Editores. Participou da Antologia Delicatta VIII, de 2013, Delicatta IX  e  "Café com Versos", de 2014, da Editora Delicatta. Teve um poema selecionado para Antologia “Mulher e Ponto & Homem e Ponto”, concurso realizado pela Litteris Editora, em 2014. É membro permanente da ANLPPB, Cadeira número 93, tendo participado das Antologias “II, III e IV e V Encontro da Academia Nacional de Letras Portal do Poeta Brasileiro”. Tomou posse no II Encontro dos Poetas do Portal e no III foi duplamente homenageada, primeiro por ter tido a importante missão de fazer o Discurso de Acolhimento aos novos eleitos e segundo por receber o Diploma de Destaque Acadêmico do Segundo Semestre de 2013. Desde sua posse, ou até antes dela, vem trabalhando pela valorização do poeta vivo e ainda anônimo, como denunciou em seu trabalho acadêmico “Poesia Contemporânea Brasileira”, publicado pela Editora Iluminatta, escolhido entre os dez melhores. Participou efetivamente de todos os Projetos da ANLPPB: Manifesto Verde, com poemas publicados em varais e árvores de praças públicas e condomínios. Realizou um trabalho efetivo com adolescentes, brincadeiras com fantoches, utilizando um livro escrito pelas próprias crianças da escola e do bairro do Jaraguá na cidade de São Paulo, sob sua orientação e seleção, em aliança com a VOITH, Ministério da Cultura e organização de Patrícia Secco. Participação em Saraus fechados, no Cantinho do Girassol em Sorocaba, no Beco dos Poetas, Céu Caminho do Mar e Casa das Rosas, ambos na Capital Paulista,  como também Saraus Itinerantes, na orla de Maceió e ao redor do Lago em Londrina e no Bosque de Jequitibás, em Campinas. Abraçou em causa própria a doação de livros, através do Projeto “Um Tesouro chamado Livro”, tirando fotos e publicando em sites de relacionamento, além de escrever poemas especiais para cada cantinho onde “quase se esqueceu de esquecer tão gostoso é esta coisa de ler”. Participou do "Natal do Bem", da Editora Iluminatta, renda destinada à lares carentes. No I Prêmio Cantinho Girassol, foi premiada em sétimo lugar com o poema "Vassouras ao Vento".  Recentemente tomou posse na ALPAS, cadeira número 47, patrono mui querido Olavo Bilac, e com muita fé nas palavras ouvidas na infância por um tio amado, que me ensinou a conversar com as estrelas... Um beijo de luz a quem me legou o amor pelas palavras.



Ouvir Estrelas

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, 

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...


E conversamos toda a noite,

enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido 

Tem o que dizem, quando estão contigo? "


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e e de entender estrelas".



Olavo Bilac

MINHAS ORIGENS



MINHAS ORIGENS

Bordas com teus dedos ágeis
Feltros de recortes multicores
Crias com tua mente fértil
Uma nova pátria verde, amarela, azul
Branco maternal ao centro
Italia, nação berço, gestos, fala,
Lazanhas, nhoques, pizzas
Pepino Di Capri, Laura Pauzine
Mistura ao mar aventureiro
Desejos de outros mundos conhecer
Paixão, coração , amor,
Camões, Pessoa, Eça de Queirós
Livros e calma para ler
Nos intervalos da Pátria a construir
Mão negra nos campos nas fazendas
Minhas origens desvendar
Meu Brasil brasileirinha recriar
Estandarte pra minha Pátria valorizar!

Liz Rabello



CÍRCULO VICIOSO

Era um tempo de paradoxos
Liberdade dos negros
 que os levaram à miséria,
ao nascimento dos morros
das favelas
Escravidão eterna! 
Liberdade dos brancos,
imigrantes europeus
que sonhavam prosperidade
Escravidão ao trabalho,
salário mínimo de sobrevivência!

Liz Rabello



MEU CORAÇÃO É METADE PRISÃO

Italianos que aqui chegaram
Para enbranquecer a nação
que de negros se fartavam
querendo a liberdade da escravidão
meu sangue vermelho é igual
avós maternos são brancos
e negros dos ancestrais
da família de papai!

Metade de mim é trabalho
suor branco europeu
Outra metade é prisão
suor negro escravidão
minha pele diz que não,
olhos verdes negam de antemão
mas sei de minha etnia
e o orgulho não chega em vão!

Carrego o dom de lutar
por uma igualdade sem fim
Difícil de conquistar
mas a certeza virá
um dia eu sei, ei de vibrar
por um país sem muralhas
pondo fim ao preconceito
de gente que vive sem conceito.

Liz Rabello




Muita emoção ao encontrar nos arquivos do Museu do Imigrante o registro de meu nono GIACOMO BONELLO, que minha cidade, São Paulo, de asas abertas para o mundo, aqui o recebeu... 



Visitar o passado, reconhecer seu valor na construção de nossa identidade cultural não tem preço... Muita emoção ao ver os nomes nos tijolos de diferentes tonalidades se misturarem em uma única cor: Metáfora da grande miscigenação cultural, gastronômica, etnias, sonhos, realidades... Somos todos UM: "POVO BRASILEIRO


Quando os imigrantes chegavam ao Brasil, de navios, desciam em Santos. De lá vinham de trem, ou de caminhão para o Brás, nesta HOSPEDARIA, onde eram recebidos pelo governo brasileiro, cujo interesse em embranquecer a população até então de origem afro, se mostrava muito hospitaleiro, a quem aceitava as regras da Imigração: Pagar com seu trabalho gastos da viagem, A quem não aceitasse, o governo deixava a Deus dará. Por esta razão, não encontrei nenhum registro de CAPPABIANCO, pois pelo que sei meu avô não aceitou o trabalho na lavoura. 

Anos mais tarde minha mãe conheceu o meu pai, cujas origens: Portuguesa e afro descendente já iniciava um processo de enbranquecimento, que hoje em minha pele se faz sentir.  Mas sei, com orgulho, que minhas bandeiras são miscigenadas e meu Brasil é assim.


Liz Rabello




ITÁLIA

Há um tantinho de mim nesta linda paisagem
DNA não se perde no fundo do mar
Nem se esconde além das estrelas
Somos imigrantes que à mãe Europa retorna
Cada vez que o coração se aquece
E nos rochedos do tempo se enfurece




Sou escritora por acaso. Nunca tive a intenção. Tudo o que sei da vida é o que o amor me ensina. Minha convivência com as palavras vem do trabalho profissional: Ler para meus alunos. Adoro Saraus, mas meus melhores momentos foram aqueles que compartilhei com as crianças e jovens em sala de aula. Acredito na Educação. Sei por fatos vividos que não precisamos cultivar todas as sementes, mas temos que participar da semeadura.  Por esta razão que aqui estou a lançar uma Campanha: Adote um vira latinha...  Aos nossos olhos amorosos o feio é tão lindo que bonito é o coração!

Liz Rabello

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Legal amiga Liz Rabelo, eu não conhecia seu Blog agora estou conhecendo e vou acompanhar dia a dia...abçs

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    1. Obrigada por sua leitura. Fico emocionada pelo carinho dos novos amigos que tive oportunidade de conhecer na Casa Amarela.

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  3. Esta é Liz, Flor de Liz, Flor de Artesã da Vida capaz de conversar com crianças e estrelas, como uma íntegra Guerreira a cultivar jardins e bons combates: Poeta que assume as flores e dores do seu tempo

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